"Deixa-te levar pela criança que foste"
Livro dos Conselhos
(Foto: Teresa Garcia)





"Le vrai Moleskine n'est plus". Palavras do dono de uma antiga papelaria da Rue de l'Ancienne Comédie, em Paris, onde o escritor Bruce Chatwin costumava adquirir o seu Moleskine. Este pequeno livrinho foi companheiro, nestes dois últimos séculos, de pintores e escritores como Bruce Chatwin, Ernest Hemingway, Van Gogh, Picasso, entre outros. Nele, colocavam os seus pensamentos, as suas ideias, os seus esboços. O Moleskine representava para todos eles um espaço, ou melhor, um refúgio para a criação. Consideravam-no muito mais importante do que tudo o resto. "Losing my passport was the least of my worries; losing a notebook was a catastrophe". Palavras do escritor Bruce Chatwin. Desaparecido em 1986, o Moleskine volta a circular pelo mundo fora em 1998. Existem diversos tipos de Moleskine: agendas, diários, blocos de notas, blocos para desenhar, etc. Moleskine acaba, actualmente, para aqueles que o têm, por ser uma peça íntima, de moda ou não, onde podem perpetuar as suas ideias, pensamentos ou esboços que pululam num determinado momento das suas vidas.



O filme The Haunting, do realizador Robert Wise, é, para mim, um dos melhores filmes de terror de sempre, inserindo-se, obviamente nos grandes clássicos. Realizado em 1963, o filme apresenta-nos uma casa invulgar, cujos habitantes tiveram sempre histórias de vida trágicas. Um cientista quer provar a existência de fantasmas e decide, então, convidar algumas pessoas (um céptico, uma vidente e uma jovem mulher com capacidades psíquicas fora do normal) para habitar a casa de Hill House durante um certo período de tempo. Um filme onde predomina o horror invisível mas audível e onde cenas clássicas atormentam até hoje a memória de quem o viu. Falo, por exemplo, da cena em que Eleonor sobe à aterradora escada em caracol e também de uma outra cena em que Eleonor e Theo estão no quarto, à noite, e presenciam a fúria da casa de Hill House. Existe ainda uma outra cena arrepiante em que Eleonor acorda com o som de risos infantis e diz a Theo para lhe segurar a mão. No entanto, apercebe-se, no final, que não esteve a segurar a mão de Theo mas sim de uma entidade espiritual. Considero o filme um dos mais bem feitos de sempre, dentro do género, devido ao facto de sugerir o terror, através do som e não o mostrar. De notar que o remake deste filme, realizado por Jan de Bont, em 1999, é uma tentativa falhada de imitação do filme de Wise. Este acaba por mostrar mais do que realmente devia, tal como a maior parte dos filmes de terror actuais. Parece-me, de facto, que o filme de 1963 foi de facto um dos grandes clássicos de terror de todos os tempos, apesar de apreciar, de vez em quando, um Dracula de Bela Lugosi ou de Christopher Lee, um Poltergeist de Spielberg ou até mesmo um The Shining do Kubrick. De sublinhar o facto do filme Blair Witch Project se aproximar um pouco do The Haunting de Wise por sugerir o terror apenas pelos sons terríveis na noite e o invisível.


Klimt. As cores quentes, as pinceladas sinuosas e os dourados persistentes fazem parte da obra magnífica deste autor. De notar que a obra de Klimt passa por várias fases e as que eu prefiro são: a fase da chamada “Secessão”, uma revolta de artistas contra as normas artísticas instituídas mas também uma vontade de alguns jovens pintores se diferenciarem dos seus pais e das suas tradições; e a fase dourada onde o artista utiliza essencialmente as cores douradas e a folha de ouro. O meu quadro favorito é, claro está, “O beijo”, onde há uma tentativa, por parte de Klimt, de esbater as diferenças entre os sexos, havendo, então, uma fusão de dois num só. No entanto, aprecio também o quadro “As três idades da vida”, onde está retratado o ciclo da vida. Gosto, especialmente, de uma parte do quadro que apresenta a mãe com o filho nos braços, talvez por agora, também eu, ser mãe.
A Ginkgo Biloba. A árvore que mais admiro pela sua força, perseverança e a sua rara beleza. Foi a árvore que sobreviveu ao ataque da bomba atómica em Hiroshima e hoje ainda a podemos lá encontrar, impávida e serena, testemunha da tragédia. Por incrível que pareça aqui em Portugal também podemos encontrar árvores desta espécie em vários sítios: Jardim Botânico de Coimbra e do Porto, Jardim das Virtudes do Porto, Braga, entre outros. 

E será possível alguma vez olvidar a criatividade de "Man from Atlantis", onde Patrick Duffy interpretava a personagem de homem-peixe aventureiro!?!?! Engraçado é que algumas destas séries que passam agora na SIC Radical não me suscitam qualquer interesse, excepto o fantástico e hilariante "The Love Boat", cuja música ainda se passeia pelos corredores da memória de qualquer trintinha que se preze.
O simpático e romântico "doc", a prestável Julie, os sempre bem-humorados "Gopher" e Isaac e o charmoso capitão Merril e a sua perspicaz filha Vicky. Outra série conhecida e inolvidável era o "Star Trek" e a sua equipa de astronautas exóticos! Escusado será dizer que Spock era uma das personagens favoritas.
Série de grande qualidade, foi novamente mostrada ao público através da SIC Radical. Recordo ainda a série "Os três duques", onde três jovens rebeldes americanos faziam tropelias e andavam sempre fugidos à polícia. Não posso terminar este post sem lembrar uma das melhores séries juvenis que vi até hoje - "Verão Azul". Episódios sempre frescos, filmados no Sul de Espanha - Nerja, onde os valores da amizade eram constantemente abordados, para além de episódios dedicados às aventuras dos jovens. Relembro apenas o nome das personagens e uma fotografia da série: o velho e experiente Chanquete, o caçula Tito, a jovem de óculos Bea, Javi, Pancho, Quique, Desi e Julia.
Um misto de realidade e ficção, um soltar de teorias diversas que nos faz pensar um pouco mais nas nossas vivências, experiências e, acima de tudo, nas nossas crenças. Um filme que pulula por vários recantos europeus, acabando por nos dar ideias para umas certas viagens e locais. Penso que a escolha de actores foi acertada, na medida em que cada um, um pouco à sua maneira, esboçou na tela, um pouco da personagem que deambulava pelas páginas de Dan Brown. De notar que nunca teria imaginado o actor Tom Hanks a transformar-se num professor de história de arte aventureiro, já que as personagens que interpreta se inserem quase sempre em mundos dramáticos ou românticos (talvez tivesse pensado mais num Harrison Ford). No entanto, de louvar a sua excelente performance ao lado de uma "Amélie Poulain" um pouco mais séria e pragmática. Provavelmente, começa agora a delinear-se um novo caminho de sucesso profissional para tão jovem actriz francesa! Um filme que fez também emergir o meu gosto antigo pela arqueologia e a vontade de procurar mais sobre teorias meramente hipotéticas mas, sem dúvida, curiosas. 
